Há muito tempo ela não abria aquela caixa. A caixa onde deixou todas as suas memórias, no começo foi difícil.
Desistir dos seus sonhos repentinamente, mas foi o que ela fez.
Já haviam se passado mais de dez anos, naquele dia ela o encontrou, com sua família feliz. Eles conversaram normalmente, como conhecidos, como se nada tivesse acontecido. Mas ela ainda lembrava, não que ela quisesse, doía demais, mas mesmo assim, ela lembrava. Dos sorrisos, dos beijos, do primeiro verão, do último inverno...da última briga...do fim. Ela lembrava de tudo,como se o tempo tivesse parado para ela naquele último beijo.Era assim sempre que ela abria a caixa, quando as memórias voltavam de repente e com toda a força. Ela ria e chorava, chorava como no primeiro dia.No começo ela achou que aquela dor não teria fim...e não tinha, mas diminuía com o tempo.
A cada foto uma nova lembrança, o primeiro encontro... o cheiro das flores quando eles se beijaram pela primeira vez no jardim da casa dela, o cheiro dele, a abraçando na chuva forte depois da primeira briga, o sabor do sorvete que eles tomaram juntos no começo do verão.
Em cada palavra das cartas ela ouvia sua voz, rindo, cantando para ela dormir, dizendo que a amava.
Em cada canto da caixa uma memória enterrada, que se abria, que doía, que alegrava.
Louca era simples assim , ela era louca...muito muito tempo, esqueça gritava sua cabeça,e mesmo assim ela ia desenterrando cada canto da sua dor.
Quando acabou, ela colocou tudo dentro da caixa novamente, guardou suas memórias no fundo do armário, na parte mais alta.Tomou banho e saiu para buscar as crianças na escola.Fez a janta, conversou com o marido, viram um filme e foram dormir.
No dia seguinte ela levantou cedo e colocou a mesa, levou as crianças ao colégio e foi trabalhar....a vida continua...mesmo que você não queira.
Ela sempre decidiu as coisas, pelos dois. Ela começou, ela terminou.Ela colocou um fim em todos os seus sonhos...ele nunca soube o motivo, sempre achou que ela fosse caprichosa, louca, sem sentido.
Ela fez o que achava melhor, é o que ela quer dizer para si mesma, mas sabe no fundo ela tem toda a certeza de que estava com medo. Medo de perde-lo, medo de amar, medo de ser feliz. Foi por medo que ela destruiu seus sonhos, e criou uma nova vida.
Casou três anos depois com o colega de faculdade, ele foi. Ela esperava uma reação, suas únicas palavras foram " espero que você seja feliz ".
Feliz...ela nunca foi feliz, só com ele.Mas ele nunca saberia disso.
Depois daquele dia eles nunca mais se encontraram, a última vez que teve notícias dele soube que havia se mudado com a família para o exterior.
Ela nunca realizou seus sonhos, ela nunca mais foi feliz, mas ela fingia bem. Mas não o suficiente para se enganar.
O fim não veio tarde...chegou com o inverno, sempre o inverno, sua época favorita. Não é engraçado?! Veio como um presente, para que ela guardasse ao menos um poco de felicidade no final. Ele chegou no dia seguinte, para tentar te-la de volta... mas já era tarde demais.
A vida continua...mesmo que você não queira.
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